Get your own free workspace
View
 

Paralisia Cerebral

Page history last edited by chainemello@... 2 years, 8 months ago

  Paralisia Cerebral   

 

 

O termo paralisia cerebral é usado como uma denominação geral que engloba distúrbios, esses têm em comum o fato de significarem uma alteração ou perda do controle motor secundárias a uma lesão encefálica, ocorrida na etapa pré-natal ou durante a primeira infância.

A paralisia cerebral não é uma doença, é um quadro ou estado patológico. Sendo assim, não pode ser curada, a lesão é irreversível. Porém, se a atenção, a reabilitação física e a educação da criança forem corretas, podem-se conseguir progressos muito importantes que farão com que se aproxime de um funcionamento cada vez mais normalizado.

As várias formas de paralisia cerebral podem ser classificadas pelos efeitos funcionais e pela topografia corporal. De acordo com os efeitos funcionais, os quadros clínicos mais freqüentes são a espasticidade, a atetose e a ataxia e, como quadros menos freqüentes, ocorrem rigidez e tremores:

A espasticidade ocorre como conseqüência de uma lesão localizada no feixe piramidal e consiste em um aumento pronunciado do tônus muscular. As contrações musculares são de dois tipos:

·         Contrações musculares que ocorrem no repouso;

·         Contrações musculares que aparecem ou são reforçadas com esforço ou a emoção.

A atetose ocorre como conseqüência de uma lesão localizada no feixe extrapiramidal e consiste em uma dificuldade no controle e na coordenação dos movimentos voluntários.

A ataxia é uma síndrome cerebelar na qual o equilíbrio e a precisão dos movimentos encontram-se alterados. Caracteriza-se por uma dificuldade para medir a força, a distância e a direção dos movimentos, que costumam ser lentos, torpes, falta de estabilidade do tronco ao mover os braços, desorientação espacial e dificuldade para assegurar o equilíbrio ao caminhar. A ataxia raramente ocorre isoladamente, estando normalmente associada à atetose.

A rigidez consiste em uma consiste hipertonia pronunciada, tanto dos músculos agonistas como antagonistas, que pode impedir completamente os movimentos; ocorre uma resistência aos movimentos passivos.

Os tremores consistem em movimentos breves, rápidos, oscilantes e rítmicos, que podem ser constantes ou ocorrer isoladamente na execução de movimentos voluntários.

Quanto a topografia corporal, a paraplegia é o comprometimento das duas pernas; a tetraplegia é o comprometimento dos membros superiores e inferiores; a monoplegia é o comprometimento  de uma extremidade; a diplegia é o comprometimento maior dos membros inferiores que os superiores; a triplegia é o comprometimento de três extremidades; e a hemiplegia é o comprometimento de um hemicorpo.

A lesão cerebral que origina a paralisia cerebral pode obedecer a três grupos de causas:

·         As Pré-Natais:

a)     As doenças infecciosas da mãe: como a rubéola, o sarampo, a sífilis, o herpes, a hepatite epidêmica, etc., que dão origem a malformações cerebrais e de outros tipos (oculares, auditivas, cardíacas, entre outras) na criança, quando a mãe as contrai durante o período embrionário.

b)     As anoxias: são distúrbios da oxigenação fetal que danificam o cérebro e podem ser causadas pela insuficiência cardíaca grave da mãe, anemias, hipertensão, circulação sanguínea deficiente, incapacidade do feto em captar o oxigênio, etc.

c)      As doenças metabólicas congênitas, tais como: a galactosemia, a fenilcetonúria, entre outras, têm efeitos que se manifestam após o nascimento, quando a criança começa a ingerir certos alimentos que não consegue metabolizar e, consequentemente há um acúmulo de substâncias tóxicas que danificam o cérebro. Por esse motivo a detecção precoce permite, frequentemente, prevenir as conseqüências da doença.

d)     A incompatibilidade: ocorre em crianças Rh positivas, nascidas de mães Rh-negativas, previamente, sensibilizadas, é, também, uma das possíveis causas da lesão cerebral. Às vezes, a criança morre ao nascer, mas, em outras, a icterícia desenvolve-se rapidamente, nos primeiros quinze dias de vida e as crianças que sobrevivem são afetadas.

 

 

·         As perinatais:

a)     Anoxia ou a asfixia por obstrução do cordão umbilical ou pela anestesia administrada em quantidade excessiva ou em momento inoportuno, ou por um parto demasiadamente prolongado;

b)     Traumatismos ocorridos durante o parto às vezes, pela utilização de fórceps;

c)      Prematuridade ou a hipermaturação podem trazer complicações que levem a um dano cerebral.

 

 

·         As pós-natais: podem ocorrer enquanto o sistema nervoso encontra-se em desenvolvimento, aproximadamente durante os três primeiros anos de vida. Como é o caso das infecções, meningite ou a encefalite, os traumatismos na cabeça, os acidentes anestésicos, as desidratações, os distúrbios vasculares e as intoxicações.

 

 

Segundo Bobath e Bobath (1976, 1987), a lesão cerebral afeta o desenvolvimento psicomotor da criança em dois sentidos; na interferência da maturação normal do cérebro acarreta num atraso do desenvolvimento motor e também ocorrem alterações neste desenvolvimento, devido à presença de esquemas anormais de atitude e de movimento, já que persistem modalidades primitivas de reflexo, estereotipadas ou generalizadas, que a criança é incapaz de inibir.

Também são característicos os distúrbios da fala e da linguagem. Pois as lesões cerebrais produzem, quase sempre, alterações do aspecto motor-expressivo da linguagem, determinadas por uma perturbação, mais ou menos grave, do controle dos órgãos motores bucofanatórios, que pode afetar a execução (disartria) ou a própria organização do ato motor (apraxia).

Geralmente, a menos que existam distúrbios associados como a deficiência mental ou outros, as anomalias ou atrasos que podem ser observados são uma conseqüência do déficit motor que altera as possíveis experiências da criança, tanto em relação ao mundo físico como social, além disso, pode afetar seu sentido de auto-eficácia e, consequentemente, sua motivação e disposição para a aprendizagem. Em geral, os distúrbios múltiplos que incluem comprometimento motor, um certo grau de deficiência mental e algum tipo de déficit sensorial podem interferir no desenvolvimento cognitivo.  

As experiências sensório-motoras destas crianças são muito limitadas, já que encontram dificuldades em manipular, controlar e explorar livremente o meio físico em que se encontram imersas. Isto pode constituir um sério empecilho ao desenvolvimento da inteligência sensório-motora e, consequentemente, ao posterior desenvolvimento do raciocínio operador e formal.

O déficit comunicativo traz consigo limitações tanto para o desenvolvimento cognitivo da criança como para o seu desenvolvimento social e da personalidade.

A educação do aluno com paralisia cerebral terá que ser sempre um trabalho com equipe, em que o professor atua em estreita colaboração com outros profissionais especializados: com sessões FREQUENTES de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, psicopedagogos. Pois um bom trabalho em equipe, em que os diversos profissionais envolvidos comentem e discutam seus objetivos e planos, pode ajudar a superar um enfoque fragmentário, para obter o equilíbrio necessário entre os aspectos específicos de aquisição e reabilitação de habilidades concretas e os aspectos mais globais de independência, integração e vida social.

O educador de um aluno com paralisia cerebral deve considerar que tem diante de si, sobretudo, um aluno que deve ajudar, como todos os demais, e aproveitar ao máximo, suas potencialidades de desenvolvimento, para viver com mais independência. As necessidades especiais destes alunos devem ser vistas mais como um desafio do que como obstáculos.  

Comments (0)

You don't have permission to comment on this page.