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Parte B) Estudos sobre um Caso

Page history last edited by chainemello@... 2 years, 12 months ago

 

Estudo de Caso  

 

 

Não possuo nenhum aluno com necessidades educativas especiais, pelo menos não comprovadas, por isso solicitei a mãe de um aluno de outra turma me relatasse o caso de seu filho.  A princípio senti certa relutância por parte dela, pois marcou comigo, várias vezes e acabava não comparecendo. Felizmente, essa semana ela me procurou para conversarmos sobre o menino.

Comecei perguntando como foi o parto do menino, se houve alguma complicação. A mãe relatou-me que o parto foi complicado, pois a bolsa rompeu em casa e ela mal teve tempo de chegar ao hospital. O menino acabou nascendo no corredor do hospital e devido à demora, o parto passou da hora. Ele nasceu no Hospital de Alvorada, de parto normal. Enquanto estava no hospital teve amarelão e precisou ficar sete dias sob tratamento na luz.

Depois do parto, o médico não falou nada sobre as possíveis seqüelas neurológicas e psicomotoras que o menino poderia apresentar.

A mãe é viúva, tem cinco filhos. Ganha uma pensão do marido falecido, trabalha uma vez por semana em uma casa de família e ganha o Bolsa Escola, no valor de R$ 60,00.  Ela teve duas filhas com o marido, não voltou a casar, teve o menino em questão e depois mais um casal. Ela não comentou sobre a paternidade das demais crianças, mas ao certo não ganha nenhum tipo de pensão alimentícia ou ajuda para o sustento destes filhos. A mãe entrou com recurso para pedir a aposentadoria do menino, porém esse pedido foi negado.

O núcleo familiar é composto pela mãe e os filhos, sendo que as filhas mais velhas ajudam bastante no trato com a criança. A idade dos filhos é: uma menina de 17 anos, outra de 14, o menino com necessidades educacionais especiais de 13 anos, outro menino de 9 anos e a caçula de 4 anos.

A mãe começou a perceber que havia algo de errado com o menino por volta dos seis meses de idade, ao notar que a criança “não se movimentava, era mole”, mas possuía tonicidade muscular. Foi aí que procurou um pediatra, sendo encaminhada a um neurologista, tendo feito vários exames.  Após um longo período foi encaminhado à fisioterapia. Começou fazendo fisioterapia na CEREPAL, onde realizava o tratamento duas vezes por semana, isso ocorreu por bastante tempo (a mãe não soube dizer o tempo aproximado).

Depois passou a fazer o tratamento de fisioterapia no próprio município de Alvorada, mas a mãe não lembra o nome da instituição, a partir de então apenas uma vez por semana.

Quando o menino tinha aproximadamente 7 anos a mãe o levou na APAE, onde foi aconselhada que ele deveria estudar lá, porém não havia vaga. A mãe achou melhor esperar até ter vaga. Por isso só procurou matrícula numa escola regular quando ele completou 10 anos. Ele foi encaminhado para a Escola Municipal Paulo Freire, por ficar longe de sua casa e os outros filhos estudarem na Escola João Goulart, a mãe pediu transferência para que todos ficassem na mesma escola, mais próxima da sua casa.

O relato da sua professora, deste período, a criança tinha pouco desenvolvimento motor e optou por deixar de lado à aprendizagem e dar ênfase a motricidade, com atividades direcionadas a exercícios com as mãos e incentivá-lo a caminhar. Após algum tempo ele conseguiu uma vaga na APAE de Alvorada, com fonoaudióloga e fisioterapeuta. Desde então ele faz o tratamento nesta instituição uma vez por semana, por meia hora em cada especialidade: das 10:00 às 10:30, tem fonoaudióloga; após das 10:30 às 11:00, tem fisioterapia.

A mãe relatou que antes dela ir para a APAE, o máximo que ele fazia era parar de pé sozinho, por uns instantes. Agora ele já evolui bastante, dá alguns passos sozinho na escola, ao ir ao banheiro necessita de companhia somente para que dêem uma “reparada”. Em casa não usa mais a cadeira de rodas, toma banho e se veste sozinho, só necessitando ajuda na hora da escovação dos dentes.

Foi constatado através de tomografia que a parte do cérebro que comanda a voz foi afetada, por isso ele se comunica mais por gestos, embora entenda tudo.

A mãe e a professora relataram que sua convivência na escola é ótima, os colegas sempre o ajudam. Porém, segundo a professora ele poderia progredir muito mais, mas prefere ser “bajulado” pelos colegas, e muitas vezes, deixa de fazer as atividades por querer chamar a atenção dos colegas, gosta de sentir-se o centro das atenções. Ambas pensam que se ele conseguisse uma vaga efetiva na APAE poderia desenvolver-se melhor, mas para a mãe, ao mesmo tempo em que quer, pensa que o menino vai sofrer ao se separar de seus colegas e com isso possa ficar depressivo. Outro problema enfrentado é a falta de transporte. A mãe não teria condições de pagar um microônibus. Apesar de eles possuírem carteira de isenção no transporte coletivo, fica difícil utilizar o meio de transporte coletivo, já que o menino é grande e ela não tem como carregá-lo.

Como complemento, o menino faz tratamento com um neuropediatra, de três em três meses, porém não toma nenhum tipo de medicação.

O principal problema atual é que necessita urgentemente de um tratamento odontológico, chegando inclusive a queixar-me de dores intensas. Ele era atendido no posto de saúde do município, mas os funcionários, alegando terem falta de equipamentos necessários para tratá-lo, encaminharam-no para o Hospital Conceição, o que dificultou ainda mais, pois as consultas são mais espaçadas e a mãe tem dificuldades em levá-lo até o hospital.   

    

      

 

 

 

 

Comments (3)

Simone Ramminger said

at 11:15 pm on May 20, 2009

Chaine vejo que já escolheste e registraste alguns dados sobre o sujeito do teu estudo de caso. Portanto, ja fizeste a postagem da atividade da unidade 4. Observei que procuraste preservar a identidade do aluno, isso é importante. Pelo que relatas, é um menino que apresenta dificuldades de comunicação e para se locomover. Na escola ele usa cadeira de rodas? Por que tu achas que a mãe do menino marcou contigo e por várias vezes não compareceu?
Nos materiais da unidade 4 tem um texto: "Conhecendo o aluno com deficiência física" de Bersch e Machado, de onde destaco um parágrafo : "A deficiência, vale lembrar, é marcada pela perda de uma das funções do ser humano, seja ela física, psicológica ou sensorial. O indivíduo pode, assim, ter uma deficiência, mas isso não significa necessariamente que ele seja incapaz; a incapacidade poderá ser minimizada quando o meio lhe possibilitar acessos." (p.21) Então, quanto mais este aluno puder ser aceito, cuidado e estimulado, tanto pela escola, quanto pela família ou por profissionais especializados, melhor será o seu desenvolvimento e aprendizagem. Assim que fores descobrindo mais informações, podes ir acrescentando aqui.
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

Simone Ramminger said

at 10:39 pm on Jun 9, 2009

Chaine o relato que fizeste contempla as informações solicitadas na atividade da unidade 5, sobre avaliação inicial, diagnósticos (médicos, outros), encaminhamentos, atendimentos complementares especializados, processos investigativos. Portanto, a atividade está ok. Referes que: "A mãe começou a perceber que havia algo de errado com o menino por volta dos seis meses de idade... Foi aí que procurou um pediatra, sendo encaminhada a um neurologista, tendo feito vários exames." O que ficou constatado nos exames? A mãe do menino comentou contigo? Que registros a escola tem sobre esse caso?
A atividade da unidade 6 já está disponível no Rooda, em aulas.
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

Simone Ramminger said

at 12:22 am on Jul 3, 2009

Olá Chaine!
Aguardamos a postagem das atividades das unidades 6 e 7 até o dia 03/07.
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone

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