A leitura do texto III Conferência de Pesquisa Sócio-Cultural, Jean Itard e Victor do Aveyron: Uma experiência do século XIX e suas repercussões*, nos mostra algumas reflexões em torno dos estudos sobre aprendizagem:
“Se, de um lado, os relatórios permitem compreender como se articulam os saberes de uma época em torno de um projeto educativo particular, muito contribuem para uma reflexão sobre problemas atuais que dizem respeito a diferentes áreas: as discussões sobre posições epistemológicas inatistas e empiristas, a relação entre o hereditário e o adquirido, a aquisição da linguagem oral e da aprendizagem da escrita, diferentes concepções de sujeito e de (língua)gem, a relação entre natureza e cultura/ civilização e questões da esfera educacional tais como os objetivos e métodos, o material pedagógico, a relação professor – aluno.”
A discussão suscitada desde então envolvendo a epistemologia inatista e empirista. O que é inato ao ser humano, e o que se conforme o meio. No caso específico do estudo do caso de Vitor, foram levantadas as primeiras dúvidas e inquietações desta pesquisa. Quando Piaget formular a sua teoria sobre a epistemologia genética irá abordar esses dois dilemas sob outro enfoque. Segundo Piaget, o aprendizado se daria numa interação entre a herança genética e o meio:
“A abordagem do meio, a partir do modelo interacionista de Piaget envolve, por um lado, um aprofundamento de questões biológicas como, por exemplo, a produção fenotípica enquanto processo resultante de uma interação entre genoma e ambiente. Por outro lado, requer uma visão, na qual os processos sociais e individuais do ser humano sejam vistos como fatores indissociáveis. Significa, portanto, problematizar o conceito de meio para além do ambiente natural e construído, bem como do meio social.”
Interação e meio: a filtragem do mundo, Gládis Franck da Cunha (1999)
* Luci Banks-Leite e Izabel Galvão, Universidade Estadual de Campinas, Universidade de São Paulo, Brasil
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